RATOS DO BLOGÃO


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26 abril 2012

A MORTE DO JOÃO PINTOR


Zé: - A bênção, padre.

Padre: - Deus o abençoe, meu filho.

Zé: - Padre, o senhor lembra do João Pintor?

Padre: - É claro, meu filho.

Zé: - Pois é, padre, o João veio a falecer.

Padre: - Que pena! Morreu de quê?

Zé: - Moro numa rua sem saída. Ele desceu com o carro e bateu no muro da minha
casa, que é a última da rua.

Padre: - Coitado, morreu de acidente!

Zé: - Não, ele bateu com o carro e voou pela janela. Caiu dentro do meu quarto e
bateu a cabeça no meu guarda-roupa de madeira.

Padre: - Que pena! Morreu de traumatismo craniano...

Zé: - Não, padre. Ele tentou se levantar pegando na maçaneta da porta, que se
soltou e ele rolou escada abaixo.

Padre: - Coitado, morreu de fraturas múltiplas!

Zé: - Não, padre. Depois de rolar a escada, ele bateu na geladeira, que caiu em
cima dele.

Padre: - Que tragédia! Morreu esmagado!

Zé: - Não, ele tentou se levantar e bateu as costas no fogão. A sopa, que estava
fervendo, caiu em cima dele.

Padre: - Coitado! Morreu desfigurado!

Zé: - Não, padre. No desespero, saiu correndo, tropeçou no cachorro e foi direto
na caixa de força.

Padre: - Morreu eletrocutado!

Zé: - Não, padre. Morreu depois de eu dar dois tiros nele.

Padre: - Filho! Você matou o João?!

Zé: - Uai, o cara tava destruindo a minha casa!

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